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| Renúncia de Advento |
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Na semana passada tivemos reunião das Equipas Coordenadoras da Família Shalom. Falámos da campanha ‘Construindo o Presépio’ e, mais concretamente, da ideia de entregarmos o óbulo do Advento, fruto da renúncia em cada família, a um instituto que trabalhasse com os mais pobres.Pediram-me que entrasse em contacto com o referido Instituto a fim de percebermos as necessidades mais prementes e podermos valer, de forma mais eficaz, às necessidades daqueles nossos irmãos e irmãs pobres. Procurei fazê-lo no dia seguinte e aqui deixo o resultado: 1. Percebi que ali se recebem os mais pobres entre os pobres… 2. Pude constatar que ali se abre o coração à Providência e se faz opção por viver em exclusivo do que a Providência dá… 3. Percebi que tudo é recebido como dom, na mais absoluta gratuidade. 4. Pedi que nos indicassem algumas das necessidades mais prementes para que fossemos mais objectivos e a resposta que obtive foi peremptória: ‘Peçam ao Senhor que vos inspire e, depois, procurem seguir a orientação que Ele vos der. Nós receberemos com alegria o que a Providência vos inspirar… Ah! Não façam uma campanha para nós! Façam para os pobres porque nós somos apenas uns entre eles. E o que quiserdes oferecer-nos, nós aceitaremos com alegria, como pobres!...’ Nestes dias, não me tem saído do pensamento a determinação, a confiança e a alegria da responsável desta Obra. Posso até dizer-vos que tem sido objecto de reflexão muito séria: num mundo onde tudo é calculado com minúcia, onde até o ‘dar’ precisa obedecer a critérios, ainda há pessoas de fé que se abandonam confiadamente nas mãos de Deus, fazendo-se depender daquilo que Ele inspirar a outrém e da generosidade com que este (outrém) acolher e puser em prática tal inspiração, sem se preocuparem com o que hão-de comer ou com o que hão-de vestir - “Olhai os lírios… olhai as aves… “(Lc). Talvez que alguns possam entender como fanatismo, outros como loucura, talvez alguns como burrice, e outros ainda como desorganização … Para mim é apenas mais um sinal de que o Evangelho, passados dois mil anos, continua verdade… e que o amor de Deus continua a fazer milagres. E o maior milagre não consiste em fazer coisas mirabolantes, mas em deixar que o meu coração se deixe enternecer e aprenda a amar, de modo preferencial, o irmão mais desfavorecido. Que atitude tomar? O que poderemos oferecer a estes irmãos pobres?... Poderia sugerir muitas coisas mas prefiro seguir o conselho da responsável daquela Obra, uma santa religiosa que aprendeu a abandonar-se confiadamente nas mãos do seu Senhor: vou colocar-me diante do presépio ou talvez do sacrário… e vou perguntar-Lhe o que é que Ele gostaria de oferecer àqueles Seus (e meus) irmãos pobres… depois irei a uma loja comprar exactamente isso como se fora para mim… e no dia 27 colocá-lo-ei com alegria nas Suas mãos para que Ele lho faça chegar, quem sabe, através de mim, mas como presente Seu… Vítor, CSh. |