Estávamos em 1961. Angelo Roncalli, ou João XXIII, liderava a Igreja Católica Apostólica Romana. O ‘Papa bom’, como era conhecido, era considerado como um Papa de transição depois do longo pontificado de Pio XII. O mundo não podia estar mais errado! Para surpresa de todos, João XXIII convocou o Concílio Vaticano II. No ano em que se celebram os 50 anos do seu início fomos perceber o que mudou na Igreja.
Actualmente são muitos os que clamam por um Concílio Vaticano III, mas podemos ver que ainda muita coisa do II falta ser posta em prática. Na reunião de há 49 anos o objectivo era preparar a Igreja Católica para dar resposta aos ‘‘sinais dos tempos, às necessidades espirituais e outros problemas’’.
A assembleia termina, três anos depois de ter começado, e entre os principais documentos elaborados pelo II Concílio do Vaticano destacam-se quatro Constituições: a Dei Verbum, sobre a Revelação Divina incidindo essencialmente no papel das Sagradas Escrituras; a Lumen Gentium, sobre a Igreja; a Sacrosanctum Concilium, sobre a Sagrada Liturgia; e a Gaudium et Spes, sobre a Igreja no mundo actual. Para além destes textos, salientam-
-se ainda três Declarações, que continuam também muito actuais: a Gravissimum Educationis, sobre a Educação Cristã; a Nostra Aetate, sobre a Igreja e as Religiões não-cristãs; e a Dignitatis Humanae, sobre a Liberdade Religiosa.
Na prática este Concílio agitou a vida da Igreja, relançou dinamismos de mudança que se registavam desde o início do século XX, mudou a Liturgia Católica, abriu a Igreja a um diálogo mais profundo com outras confissões religiosas e até mesmo com as sociedades.
Consequências directas da aplicação dos textos ou do dinamismo criado, o Concílio alterou profundamente a imagem e a experiência de ser Igreja em pormenores formais como, por exemplo, o fim da missa em latim; a criação do sentido comunitário em Igreja, com a colocação do altar no centro, uma forma de exemplificar a família reunida em volta do altar/mesa de refeição; até à abertura renovada à participação dos leigos na vida da Igreja.
O Ano da fé
Entretanto, Bento XVI anunciou a celebração de um ‘‘ano da fé’’, entre Outubro de 2012 e Novembro de 2013, para assinalar o 50.º aniversário do Concílio Vaticano II. Uma forma de relançar o anúncio da fé à sociedade contemporânea. Nas palavras do Papa é ‘‘oportuno recordar a beleza e centralidade da fé, a exigência de reforçá-la e aprofundá-la a nível pessoal e comunitário’’, numa perspectiva ‘‘não tanto celebrativa, mas antes missionária’’.
O desafio lançado a todos os cristãos é o de serem um sinal de ‘‘esperança’’ para comunicarem a alegria da sua fé, mesmo no meio da indiferença, sendo optimistas quanto ao ‘‘crescimento e difusão’’ da Palavra de Deus no mundo, mesmo quando o ‘‘mal faz mais barulho’’.
A nova evangelização
O anúncio de Bento XVI ocorreu durante um encontro internacional com pessoas e movimentos empenhadas na “nova evangelização”. O mais difícil de entender é o adjectivo ‘nova’, cuja definição ainda não é a final, esperando-se uma ‘‘clarificação’’ no próximo Sínodo dos Bispos, a decorrer entre 7 e 28 de Outubro de 2012.
Ainda assim, parece claro que a evangelização ao estilo missionário para zonas inóspitas do planeta não é o maior desafio actual da Igreja. Esse desafio está num mundo tecnológico e consumista como o actual, onde a modernidade e o progresso são os únicos ‘deuses’ e onde a religião e a fé estão ‘fora de moda’.

